Home Saúde Enfermeira, epidemiologista reforça – Proteja o sistema de saúde e salve vidas. “Fique em casa”

Enfermeira, epidemiologista reforça – Proteja o sistema de saúde e salve vidas. “Fique em casa”

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Por: Márcia Regina de Andrade

Enfermeira, epidemiologista e especialista em Enfermagem do Trabalho

A partir de 11 de março, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que a COVID-19, nova doença causada pelo novo coronavírus (denominado  Síndrome Respiratória Agua Grave – SARSCoV-2),  é uma pandemia. Isto significa que esta nova doença viral já se espalhou pelo mundo, atingindo todos os continentes. E este momento não deve ser de pânico, mas de muita prudência. A epidemia é dinâmica e todas as informações e recomendações nos informes são atualizadas diariamente, e à medida que a epidemia aumenta, novos conhecimentos científicos são publicados.

Devemos ter prudência sim, pois o que deve mudar realmente é a nossa “dinâmica de vida”, e, mudar hábito é muito difícil, contudo, neste momento é extremamente necessário. Sabemos que as medidas preventivas mais eficazes para reduzir a capacidade de contágio do novo coronavírus são: “etiqueta respiratória”; higienização frequente das mãos, com água e sabão ou álcool gel a 70%; identificação e isolamento respiratório dos suspeitos ou acometidos pela COVID-19 e uso dos EPIs (equipamentos de proteção individual) pelos profissionais de saúde.

A partir de muitos artigos que estou me apropriando, posso afirmar que, a epidemia é dinâmica e já estamos na 3ª fase da epidemia. A primeira fase epidemiológica da COVID-19 foi a de “casos importados”, em que houve poucas pessoas acometidas e todas regressaram de países onde há epidemia. A 2ª fase epidemiológica foi de transmissão local, quando pessoas que não viajaram para o exterior ficaram doentes, ou seja, há transmissão autóctone, entretanto, ainda é possível identificar o paciente que transmitiu o vírus, geralmente parentes ou pessoas de convívio social próximo. Atualmente estamos na 3ª fase epidemiológica ou de transmissão comunitária, ou seja, quando o número de casos aumenta exponencialmente e perdemos a capacidade de identificar a fonte ou pessoa transmissora. Portanto, a nesta fase, as medidas iniciais mais recomendadas além dos cuidados de higiene já citados, são o ISOLAMENTO SOCIAL.

O período de incubação do coronavírus, ou seja, o tempo entre o dia do contato com o paciente doente e o início dos sintomas, é, em média, de 5 dias. Em raros casos, o período de incubação pode chegar a 14 dias. Provavelmente os primeiros 3 a 5 dias de início dos sintomas são os de maior transmissibilidade. Por isso, casos suspeitos devem ficar em isolamento respiratório, desde o primeiro dia de sintomas, até serem descartados, sabemos também que, esta orientação é dinâmica, e pode ser modificada conforme a evolução da epidemia.

Compreendemos também, que em aproximadamente 80 a 85% dos casos são leves e não necessitam hospitalização, todavia, devem permanecer em isolamento respiratório domiciliar; 15% precisam de internamento hospitalar fora da unidade de terapia intensiva (UTI) e menos de 5% carecem de suporte intensivo, ou seja, ocupar um leito de UTI.

Sabemos que o nosso país, apresenta grande desigualdade espacial em termos de características sociodemográficas, econômicas, acesso à saúde pública e índices de pobreza, e por causa destas desigualdades, a epidemia do COVID-19 deve impactar essas populações de maneira diferente.  Por isso, devemos levar em consideração os fatores como transmissibilidade, letalidade e vulnerabilidade de cada região, e principalmente a infraestrutura do nosso sistema de saúde, especialmente a capacidade dos hospitais locais em lidar com a alta demanda que é esperada para a pandemia de COVID-19.

E, quando analisamos o risco de disseminação do COVID-19 por todo o país, se considerarmos o cenário em que não há restrições de mobilidade, certamente será o pior panorama possível. Embora a implementação da mobilidade, as restrições e distância social que estão sendo adotadas pelo país, estados e municípios, o efeito atual dessas medidas ainda não é totalmente conhecido, pois nem toda população adere totalmente a essas restrições e ainda dificultam a adesão aos protocolos de higiene e isolamento.  O que sabemos é que se não houver restrições, a capacidade de contágio, de uma pessoa doente com a COVID-19 de transmitir o vírus, em média, é para outras 3 a 6 pessoas. Por isso, o distanciamento social é uma das principais estratégias adotadas para atrasar a transmissão.

E as medidas iniciais mais recomendadas são:

  • estimular o trabalho em horários alternativos em escala;
  • reuniões virtuais; home office;
  • restrição de contato social para pessoas com 60 anos ou mais e que apresentam comorbidades;
  • realizar testes em profissionais de saúde com “síndrome gripal”, mesmo os que não tiveram contato direto com casos confirmados;
  • organizadores devem avaliar a possibilidade de cancelar ou adiar a realização de eventos com muitas pessoas;
  • isolamento respiratório domiciliar com 7 dias de isolamento, se assintomático;
  • se sintomático, procurar uma Unidade de Saúde investigar e seguir o protocolo vigente.

Diante disso, é necessário manter a redução da exposição social a partir de barreiras para o fluxo intermunicipal, com a redução do contato pessoal dentro dos municípios, ou seja, devemos manter as medidas de distância social, principalmente para a restrição para pessoas com 60 anos ou mais e que apresentam comorbidades as quais são as mais propensas a apresentar casos graves.

Portanto, cabe aos governos federal, estaduais e municipais, aos poderes legislativo e judiciário, as empresas e as organizações da sociedade em geral atuarem decisivamente para reduzir as taxas de infecção, com medidas que viabilizem o distanciamento social, e para reduzir as taxas de letalidade (óbitos), provendo a atenção oportuna e adequada aos casos graves.

Acrescente-se que as medidas destinadas à diminuição da velocidade da propagação da epidemia também visam a evitar uma situação de colapso no sistema de saúde, com graves repercussões para cidadãos de todas as idades. São essas ações que poderão salvar milhões de vidas nos próximos meses. Portanto, pedimos à população em geral: vamos fazer a nossa parte.   Proteja o sistema de saúde e salve vidas. “Fique em casa”

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