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Rainha do lar? Psiquiatra explica como estereótipos sobre a maternidade afetam a saúde mental

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Com a chegada do Dia das Mães, a psiquiatra Paula Dione aponta que maternar não pode ser sinônimo de sacrifício

O universo da maternidade é cercado por algumas frases emblemáticas. A mais famosa diz que “ser mãe é padecer no paraíso”, mas será que é mesmo necessário padecer? A psiquiatra Paula Dione, especialista da Holiste Psiquiatria, chama a atenção para a cultura que exalta o sacrifício da mulher como condição necessária para maternar. Sendo assim, a mãe que verdadeiramente ama os filhos é a que sofre?

**Portal:** Dra. Paula, o universo da maternidade é frequentemente associado a frases como “ser mãe é padecer no paraíso”. Você poderia comentar sobre essa ideia de que o sofrimento é uma condição necessária para ser uma boa mãe?

**Paula:** Propaga-se amplamente a ideia de que uma boa mãe é aquela que enfrenta sofrimento durante a gravidez, o parto, que abdica de sua vida pessoal e profissional em prol dos filhos, e que encara esses sacrifícios como algo natural da maternidade. Essa concepção pode gerar um sentimento de culpa nas mulheres, que se veem culpadas por qualquer realização pessoal ou momento de felicidade que não esteja diretamente ligado aos filhos. Essa dinâmica pode ter um impacto negativo na saúde mental das mães.

**Portal:** Muitas vezes, a responsabilidade pela criação e educação dos filhos é atribuída exclusivamente às mães. Como você vê essa pressão social sobre as mulheres nesse papel?

**Paula:** Existe, de fato, um ideal que coloca a mulher como a principal responsável pela criação dos filhos, e essa responsabilidade vem acompanhada da expectativa de que ela esteja plenamente feliz e satisfeita com esse papel. No entanto, estamos em um momento de questionamento desses estereótipos, reconhecendo que a maternidade é uma experiência repleta de momentos bons e ruins, mas que não deve ser associada necessariamente ao sofrimento. É importante desconstruir essa pressão sobre as mulheres e reconhecer a importância da co-responsabilidade na criação dos filhos.

**Portal:** Como a publicidade tem abordado a maternidade nos últimos tempos, especialmente em relação ao Dia das Mães?

**Paula:** Observamos uma mudança na forma como a maternidade é retratada na publicidade, que está cada vez mais tentando escapar dos estereótipos tradicionais e celebrar a diversidade de experiências maternas. Ao invés de focar apenas em presentes materiais ou em ideais de mãe perfeita, as campanhas publicitárias estão reconhecendo as diferentes realidades das mães e promovendo uma reflexão sobre o que realmente importa nessa data. É um convite para pensar não apenas em presentes, mas também na saúde mental e física das mães, sem a necessidade de associar a maternidade ao sofrimento.

**Portal:** Dra. Paula, para finalizar, qual é a importância da informação e do cuidado com a saúde mental das mães?

**Paula:** A informação é fundamental quando se trata de saúde mental, e isso se aplica especialmente às mães. É importante que elas tenham acesso a recursos e apoio para cuidar de sua saúde emocional, pois uma maternidade saudável depende não apenas do bem-estar dos filhos, mas também da saúde mental das mães. Promover o autocuidado e a busca por tratamentos adequados é essencial para garantir o equilíbrio emocional das mães e, consequentemente, o bem-estar de toda a família.

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