Home Saúde Nova cepa do coronavírus causa incertezas entre autoridades de saúde e a população em geral

Nova cepa do coronavírus causa incertezas entre autoridades de saúde e a população em geral

0

Nova cepa do coronavírus causa incertezas entre autoridades de saúde e a população em geral. O Ministério da Saúde já registrou a suspeita de casos da variante do vírus, no estado de São Paulo. Segundo o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do estado, essa nova cepa é a mesma detectada recentemente no Reino Unido e nos Estados Unidos.

A epidemiologista e pesquisadora do CNPq,  doutora Ethel Maciel, comentou sobre  o que já se sabe sobre a nova cepa do coronavírus e como se dá essa variação? Como isso deve impactar a vacinação de Covid-19?

 Ethel Maciel, epidemiologista.

“Ele fez uma mudança naquelas espículas que o vírus tem, que formam aquela coroa. Essa mudança conseguiu tornar essa variante (B117) mais transmissível. A vacina faz uma apresentação do vírus para nosso organismo, para treiná-lo a como combater aquele vírus. Então qualquer mudança que ele consiga despistar no nosso sistema imunológico é ruim. A resposta fica mais tardia, mais lenta, a esse agressor”.

Como a senhora avalia essa iniciativa das clínicas particulares quererem adquirir a vacina? É possível que isso ocorra antes da vacina chegar ao SUS?

Ethel Maciel, epidemiologista.

“Não seria justo que a vacina pudesse ser administrada naquelas pessoas que pudessem pagar apenas. A vacina não é um remédio. Ela é uma estratégia de prevenção, que só funciona se for coletiva, se muitas pessoas se vacinarem, porque cria a imunidade de rebanho. A estimativa no Brasil é que a gente precisa de 70% da população vacinada, para que a gente tenha essa imunidade. Um acordo feito pela Organização Mundial da Saúde foi que as fabricantes só venderiam para os governos”.

De fato é uma excelente medida para garantir as doses no SUS. Inclusive, recentemente, o uso emergencial da vacina do Butantan e da Fiocruz está em análise na Anvisa. O que precisa ser feito para o Brasil efetivar a imunização da população?

Ethel Maciel, epidemiologista.

“E a gente vai precisar de mais vacinas. Uma boa coisa para o Brasil fazer agora talvez seja começar a negociar com a Jansenn. Eles estão prometendo uma finalização do estudo em janeiro. E é uma vacina de uma dose só, então muito mais simples para a gente operacionalizar”.

E os municípios também devem organizar as salas de vacinação, não é doutora?

Ethel Maciel, epidemiologista.

“Eu vou citar aqui, no Espírito Santo, em Vitória. A gente já faz, por exemplo, na vacina da gripe, o agendamento online. A ideia do governo agora é disponibilizar um aplicativo para que a gente possa fazer isso no Brasil todo, para evitar a aglomeração”.

Mesmo com a vacinação, a população precisa manter os cuidados, não é verdade?

Ethel Maciel, epidemiologista.

“Mesmo que inicie a campanha, até que 70% da população esteja vacinada, vai demorar um pouco. Então a gente vai precisar ainda seguir aquelas orientações, de utilizar máscara. 2021 vai ser um ano que a gente ainda vai utilizar máscara, vai precisar fazer distanciamento físico. Álcool em gel e a lavagem das mãos vão ser nossos aliados”.

Como a senhora vê o panorama atual da pandemia no Brasil e o que acha que deve ser feito nos próximos meses?

 Ethel Maciel, epidemiologista.

“A gente deveria fazer o lockdown, fazer uma restrição, para que a gente pudesse começar com um pouco mais de tranquilidade. Várias previsões matemáticas apontam que se a gente não tomar uma decisão hoje, janeiro vai ser trágico e fevereiro vai ser muito trágico. As chances de termos um colapso no serviço de saúde agora é real”.

 

 

Comentários estão fechados.

Veja Também

Rebouças define cronograma de vacinação contra Covid