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Governo abre canal para agricultores familiares relatarem perda na produção por conta da covid-19

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Atendimento será automático, gratuito e pelo WhatsApp por meio do número (61) 99873-3519; entidade que representa produtores cobra liberação de mais recursos para o setor

Agricultores familiares de todo o país agora têm um novo canal de comunicação com o governo federal. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF), anunciou nessa semana um número de WhatsApp, em que é possível comunicar as autoridades sobre possíveis perdas de alimentos e produção por conta da covid-19.

Segundo o governo, o atendimento é automático. Basta o agricultor ou agricultora iniciar a conversa com um “Oi” que o atendimento será iniciado com o envio de perguntas para análise da situação. É preciso salvar o contato – (61) 99873-3519 – no telefone celular, informar dados pessoais, produtos que eventualmente tenha perdido, perfil da associação (caso participe) e quais os canais de comercialização que não compram mais os produtos.

O secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Fernando Schwanke, afirma que o canal vai aproximar e prestar assistência aos agricultores e cooperativas, agroindústrias e associações, por exemplo.

“O objetivo é que nós possamos ter essa informação em tempo real e ajudar a encontrar soluções”, garante. O canal, segundo ele, vai permitir que os relatos cheguem ao órgão de forma organizada para que novas medidas sejam avaliadas. “Isso é para que o nosso departamento possa tratar a informação e ajudar os agricultores a encontrarem caminhos de comercialização de seus alimentos”, acrescenta.

Schwanke admite que ainda não há um número consolidado de quanto o setor da agricultura familiar já perdeu nesse período, mas aponta que o Mapa tem trabalhado para reduzir impactos. “As perdas ainda estão acontecendo. O que temos são relatos que queremos organizar por meio desse canal. Primeiro saber o que está acontecendo, para depois atuar no combate às perdas. Talvez não resolvamos o problema de todos, mas vamos buscar de todas as maneiras possíveis auxiliar os agricultores para que essas perdas não aconteçam”, espera.

Na avaliação do secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Denis Monteiro, a ideia é interessante, mas pondera que existem formas mais eficazes de ajudar os agricultores familiares nesse momento de crise. “É importante que os agricultores falem, até para as organizações cobrarem ações mais efetivas depois, mas não ficou claro o objetivo do canal. Seria muito mais efetivo o Mapa pautar a liberação de recursos para programas, agilizar o repasse para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para estados e municípios do que abrir esse canal”, defende.

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgados no fim de março, mostram que um dos setores mais afetados pela pandemia foi o de frutas e hortaliças. A entidade atribuiu a perda ao fechamento de bares, restaurantes e feiras livres, que eram os principais canais de venda para agricultores familiares. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, a estimativa de queda nas vendas é de 80%. “Muitos tiveram que passar o trator por cima da produção”, lamenta Monteiro.

O secretário executivo da ANA afirma que ainda não é possível estimar o tamanho do prejuízo e revela que a tendência é de retorno gradual de faturamento. “Há perdas enormes. É difícil de fazer uma estimativa no momento, porque as rupturas de mercado foram muito significativas. Mas a gente sabe que as pessoas estão comprando menos hortaliças e frutas, priorizando itens menos perecíveis”, pontua.

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