COMENTÁRIO – ELEIÇÕES 2026, A DISPUTA QUE VAI ALÉM DA VITÓRIA: QUANDO SER ELEITO NÃO É O SUFICIENTE Por CLAYTON BURGATH Postado em 1 de fevereiro de 2026 0 POR: CLAYTON BURGATH – JORNALISTA Nas eleições deste ano, o jogo político mostra que a ambição não se limita mais a conquistar uma cadeira. Para muitos candidatos, vencer virou pouco. O objetivo agora é outro: sair das urnas com o carimbo de “mais votado”, como se a política fosse uma competição de vaidade e não um instrumento de representação. Ser o mais votado virou troféu, moeda de poder interno e argumento para impor liderança, cobrar espaços e, em alguns casos, governar de cima para baixo. A lógica é simples — e perigosa: quanto maior a votação, maior o ego e menor a disposição para ouvir. O problema é que essa corrida por números transforma o eleitor em estatística e a eleição em ranking. Projetos coletivos ficam em segundo plano, alianças se tornam descartáveis e o debate perde qualidade. Vale tudo para ampliar a votação, mesmo que isso signifique promessas infladas, discursos vazios e marketing acima de propostas reais. No fim das contas, a democracia não foi criada para consagrar campeões, mas para eleger representantes. O cargo não deveria ser medalha, e sim responsabilidade. Porque, depois da contagem dos votos, não importa quem foi o mais votado — importa quem vai trabalhar mais, ouvir melhor e entregar resultados.