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🎥 Rebouças- Filha da “profeta” Hilda, visita a cidade por onde sua mãe passou

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Nerli Salete Serpa, esteve na tarde deste 11 de abril, no cemitério municipal de Rebouças; onde conheceu a cruz onde  está a fotografia de sua mãe, Hilda. Nerli falou ao jornalista Clayton Burgath sobre a emoção desse momento. VEJA:

A HISTÓRIA DE HILDA SERPA- A mulher religiosa que causou agitação em
Rebouças

Ao longo de sua história, Rebouças, tem em uma de suas páginas, fatos que envolveram a passagem de uma mulher denominada Hilda Aparecida Serpa.
Era uma espécie de peregrina. Os relatos apontam que ela mesma (que carregava uma cruz) dizia que não queria ser “santa”; denominação dada por muitos de seus seguidores por supostamente realizar curas milagrosas, atribuindo-lhe um intenso movimento devocional, que deu margem à várias manifestações e conflitos religiosos.
Ao percorrer por várias cidades a pé (conta-se que seu objetivo seria chegar até Aparecida do Norte), vinda do Rio Grande do Sul, passou por Rebouças; onde marcou presença com manifestações religiosas, e no desenrolar dos fatos gerou conflitos no ano de 1966.
Em Rebouças, Hilda atraiu uma multidão de aproximadamente 5.000 pessoas, vindas de outras cidades e localidades.
Contam-se relatos de que suas únicas palavras eram ‘oração e caridade ao próximo’.

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Mas nem todos comungavam com sua presença, o que gerou um grande alvoroço na cidade.
Relatos dão conta de que após uma procissão que saiu da área central da cidade seguindo sentido cemitério municipal de Rebouças, naquele local, alguns revoltosos com as atitudes de Hilda, quebraram em vários pedaços a cruz de madeira que ela carregava.
Posteriormente, ainda segundo relatos, Hilda estando na localidade de Riozinho terminou sendo presa por militares. Talvez, em virtude do regime militar daquele período, consideram Hilda como uma espécie de revolucionária, por agregar multidões por onde passava.
Desde sua prisão não se teve mais notícias da ‘santa’. Algum tempo depois, dizem, que ela teria aparecido em uma residência, na cidade de Rebouças. Mas desta vez sozinha, pois sempre era acompanhada por uma jovem, que desta vez não estava com ela (desde a sua prisão).
De Rebouças, Hilda teria retornado ao Rio Grande do Sul.
Na entrada do cemitério, onde houve a ‘revolta’ de alguns contra Hilda, foi erguida uma cruz, inicialmente em madeira, depois em concreto. Nela está a foto de Hilda, e um agradecimento de uma cura que teria sido a ela atribuída.
Entre dossiês e documentos daquela época, que eram até pouco tempo mantidos em sigilo (agora abertos para conhecimento público), há o relato onde cita-se a passagem de Hilda em Rebouças.
Iremos transcrevê-lo aqui, mantendo apenas nomes de envolvidos reservados. Acompanhe:
“INFORMAÇÃO nº 01/E2/EMG/PMP, 28/MAR/66

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1. HILDA APARECIDA SERPA, dizendo ter tido sonhos reveladores, partiu de Nonoi, Rio grande do Sul, sendo que em atenção à ditames de N.S. Aparecida e depois ir até Jerusalém, pregando uma doutrina própria, tendo conseguido um número considerável de adeptos, lançando mão de mistificações, orações, sermões (impróprios segundo gravação encaminhada à DOPS), plantando em locais pré-estabelecidos uma cruz, símbolo da fé de seus seguidores. Viajando em trechos curtos, era óbvio que, ao chegar em outro local, sua fama já estava propalada, com adeptos locais, que lhe facilitavam o trabalho. Já conhecida em Rebouças, quando ainda em Rio Azul, ao chegar encontrou o campo já preparado psicologicamente, tendo de imediato se hospedado na residência do Senhor XX (comerciante), que ele deu cobertura desde o início da Semana Santa. Insistiam os seguidores de Hilda, pelo não funcionamento do cinema, clube, etc, durante a permanência da mulher santa (como a chamavam) na cidade de Rebouças, pois tal fato, era um desrespeito à mesma. Em data de 21 corrente, em face de intensa propaganda na rádio XX (de outra cidade), afluiu para Rebouças uma grande massa de populares, oriunda de cidades vizinhas e interior dos municípios próximos, que culminou com a procissão de aproximadamente 5.000 pessoas, tendo como escopo a plantação da cruz em frente ao cemitério local, com plena aquiescência do prefeito Sr XX. Durante a madrugada a cruz foi arrancada e reduzida a pedaços, exaltando-se os ânimos, passando a cidade viver um clima de intranquilidade, com promessas de quebra-quebra do cinema, clube, etc.
Lideraram a massa, instigando-as a atitudes não menos recomendáveis, nos moldes de agitadores profissionais devidamente comandados os senhores XX e XX (vereadores) e XX (guarda civil aposentado), XX, XX e XX (ferroviários), notando-se ainda, perfeita submissão destes elementos ao prefeito local. Os seguidores de Hilda Serpa, era gente simples, humilde e que assim agiam unicamente por ignorância, totalmente influenciáveis, que estavam sendo conduzidos a atividades completamente aleias àquelas que de início se propuseram, mormente contra católicos locais e elementos simpáticos à atual política do País. Muito embora em clima bastante agitado, males maiores não surgiram, sendo que se tentativa novamente em data de 23, de repetir os fatos, mas, com a presença do destacamento da PM deslocada para a região, os agitadores se ocultaram, tendo alguns, se homiziado em outros municípios, se dissolvendo os mitos religiosos de Hilda, sem qualquer perturbação da ordem.”

 

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